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Empresa especializada no segmento de preservação, conservação e restauro do patrimônio cultural, desde 1986, projeta, executa e assessora o restauro de bens culturais de diversos tipos.

A Capela de Cristo Operário, um resgate moderno.

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A Capela de Cristo Operário, um resgate moderno.

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     A restauração das pinturas murais da Capela de Cristo Operário, no bairro do Ipiranga, apresentou problemas de várias naturezas, como de resto ocorre com toda e qualquer intervenção de restauro. Neste caso, porém, além dos desafios habituais de compatibilizá-la com o restauro arquitetônico em cronograma e partido, havia o desafio maior de harmonizá-la com as expectativas de vários segmentos, cada qual portador de uma visão diferente: a comunidade católica local, com seu traço religioso tradicional e intenso apego afetivo, os religiosos da Ordem Dominicana com sua visão moderna de religião e sociedade, e vários grupos ou tipos de adeptos que se identificam com a história social da Unilabor e da moderna arte brasileira, num dos seus melhores momentos. Cumulando tudo, a dificuldade maior de conseguir ver criticamente obras de arte produzidas na nossa era, sem o auxílio do distanciamento que só o tempo dá. A nossa responsabilidade resultava maior tanto por esta variedade de expectativas quanto pela notável importância  das pinturas, e pelo seu estado material extremamente deteriorado, em que faltavam dados formais da obra.

     A crescente consciência cultural da sociedade fez-se novamente presente, com a iniciativa privada apoiando-nos mais uma vez, de duas formas: uma, facilitando as condições materiais de trabalho, e outra, fornecendo-nos elementos iconográficos de qualidade e quantidade incomuns.

     Tal suporte duplamente solidário possibilitou-nos muito: analisar detalhadamente as antigas fotografias, associá-las aos vestígios resgatados e tornados mais visíveis com as primeiras ações técnicas, experimentar diferentes conceitos e formas de abordagem e soluções plásticas, convidar especialistas na obra de Volpi e Mohaly. Não bastasse isto, e experimentamos, repetimos e conferimos cada postura e procedimento várias vezes até certificarmo-nos de que chegáramos ao resgate visual mais fiel e seguro possível da expressão que os artistas um dia puseram naquelas paredes. Resultou uma intervenção de restauro com um padrão ainda incomum no Brasil, em que formas perdidas e de autores famosos foram reconstruídas com muita segurança. Renovou-se a nossa sensação de evolução segura, de familiarização dos paulistanos não apenas com o resgate de bens culturais, mas da diversidade com que pode e deve ocorrer.

     Dai o título deste pequeno artigo: o resgate da Capela de Cristo Operário foi essencialmente moderno. Pelo aspecto técnico, ao empregar adequadamente os recursos da tecnologia hoje ao dispor de todos; pelo partido e critério de restauro, com um viés ético-filosófico tão inovativo quanto seguro; pela receptividade ao trabalho feito, e finalmente pela viabilização espontânea, de pessoas que trabalharam e contribuíram por um bem cultural sem nada pedir ou esperar para si além de vê-lo resgatado e disponível para a coletividade.

 

Julio Moraes – Coordenador geral